Série - Crenças limitantes na maternidade que atrapalham o desenvolvimento amoroso
na família.
  O medo de resolver problemas

Tenho medo de resolver problemas
(Baseado numa conversa com uma amiga)


Muitas vezes temos um medo camuflado de resolver problemas na relação com nossos filhos que se traduz numa frase mais ou menos assim: “Eu não sei o que fazer!”

Acredito que você já tenha passado por isso quando em algum momento da sua maternidade, um comportamento qualquer do seu filho tenha lhe causado um certo pânico e suas investidas de resolução não criaram o efeito desejado, ou em outras palavras: tudo o que você fez não adiantou de nada!

E o que provavelmente aconteceu?

Você correu para os livros, para a internet e para os conselhos de amigos ou especialistas à procura de uma solução eficaz para dar um jeito definitivo no comportamento indesejado do seu filho.

Duas coisas podem ter ocorrido a partir daí:

Vamos supor que um dos seus gurus prediletos apresentou a solução mágica que ao aplicá-la tudo se resolveu, o comportamento do seu filho foi alterado e agora você está mais aliviada e feliz.

A segunda alternativa é que o resultado prometido não aconteceu.

Vou focar na segunda hipótese e depois volto na primeira.

Nossos filhos não são uma equação matemática onde você aplica uma fórmula reconhecida para chegar num resultado desejado. As equações matemáticas são complexas, assim como nossos filhos, mas as equações matemáticas são algo estático, “vivem num mundo concreto” que trazem resultados únicos que nunca variam.

Já nossos filhos, assim como nós, “vivemos num mundo sutil” que se transforma a todo instante, que é regido por influências internas e externas, que vive e percebe um novo pedaço da realidade a cada momento e que se movimenta continuamente.

Somos muito mais poderosos, misteriosos e vivos do que uma equação matemática.

Na matemática mesmo que tenhamos dificuldade para entendê-la no começo, com um certo tempo e esforço podemos compreendê-la e dominá-la, usá-la e aplicá-la.

Já com nossos filhos a ciência da compreensão e dominação funciona em outro ritmo, a criança de ontem não é a mesma de hoje nem será a mesma de amanhã.

Um sentimento que surge agora em função de um acontecimento qualquer não será o mesmo que surgirá em um outro acontecimento, ocorrido de forma igual num tempo diferente, ou numa situação completamente desigual.

O que quero dizer é que uma formula aplicada para resolver um problema matemático sempre trará o mesmo resultado, já uma formula aplicada nos nossos filhos para resolver um comportamento qualquer trará resultados distintos e um desses resultados pode ser exatamente o oposto daquilo que você deseja, ou seja, nenhum resultado!

E aquele conselho que funciona?

Seguindo o mesmo pensamento de cima e pedindo para você analisar todas as técnicas comportamentais que já aplicou nos seus filhos algum dia, te pergunto: Sempre funcionou mesmo? Seus filhos sempre reagiram como você queria? O comportamento indesejado sumiu totalmente? Era uma aplicação natural?

Muitas vezes temos a certeza que “sim”, que tudo se resolveu e que as fórmulas são mágicas mesmo. Mas para quem observa atentamente sabe que aqueles comportamentos supostamente trabalhados e resolvidos acabam ressurgindo com outras “roupagens”, com outros focos e por outros motivos.

Muitas vezes o que ocorre é que aquele comportamento que classificamos como contido foi inteligentemente direcionado, pela própria criança, para outras situações, por puro instinto de sobrevivência, afinal ela precisa extravasar seus incômodos que não sumiram e não foram transmutados, apenas abafados e reprimidos.

Vamos para um exemplo prático: Um bebê que chora muito e não consegue dormir sozinho.

Existem várias técnicas que ensinam você a cuidar do seu filho para que ele finalize o choro e durma tranquilo. Eu mesma comprei alguns livros no desespero e apliquei algumas técnicas no meu primeiro bebê.

Na minha experiência praticamente nenhuma técnica funcionou e as que deram certo duraram pouco tempo. Eu insistia nas técnicas conforme os especialistas diziam, mas na verdade meu bebê e eu fazíamos uma combinação singular.

Nenhum livro é capaz de traduzir todas as combinações existentes e únicas entre mamães e bebês.

Somente depois te tentar muito é que desisti, percebi que nada dos livros serviam para mim e comecei a buscar soluções internas.

Depois de analisar minhas crenças e analisar intimamente meu bebê é que cheguei a melhor solução e definitivamente o problema se extinguiu.

No meu caso foi tirá-lo do berço e iniciar cama compartilhada. Se eu fosse outra pessoa possivelmente a solução seria outra e estaria baseada exclusivamente naquele conjunto de mãe e bebê.

Esse foi um exemplo simples, mas poderia ser algo bem mais complicado, como por exemplo um filho que machuca propositadamente outras crianças, ou alguma outra situação difícil.

E agora você me pergunta: “O que o medo de resolver um problema tem a ver com isso?”

O medo de não segurar com as próprias mãos a responsabilidade de exploração da gênese daquele comportamento aflitivo e principalmente da sua resolução!

Não estou querendo dizer que tudo que seu filho faz é culpa sua, falarei sobre isso num outro artigo, mas estou falando de ir fundo nas crenças para descobrir duas coisas: primeiro “Como você encara aquele problema?” e segundo” Como você pode transformar aquela situação?”

No caso do choro infantil você poderia acreditar que um bebê precisa aprender dormir sozinho desde o nascimento, ou caso ele não fique na sua cama logo nos primeiros meses de vida, depois ficará difícil ir para seu quarto.

Ou você pode pensar que a tradição diz que o casal precisa dormir junto sem crianças por perto e nem cogita outra situação.

Ou você poderia pensar que na verdade não suporta ser incomodada com o choro, ele irrita! Ou qualquer outro pensamento.

Perguntar-se o “como e porque” você se incomoda com aquele comportamento do seu filho é essencial para achar uma solução mais adequada a sua realidade.

“Eu não sabia o que fazer” com relação ao choro do meu bebê, por isso comprei livros com técnicas. Eu não achava que era capaz de chegar numa solução sozinha e precisei tentar muito, porém vi que os especialistas não eram "especialista do meu bebê", mas eu sim, eu era especialista nele, eu o olhava, eu o escutava, eu o tocava. Somente eu poderia achar a solução. E ela estava dentro de mim.

No meu caso, eu me incomodava com o choro por conta do som agudo no meu ouvido, eu me incomodava porque eu queria dormir e não conseguia, eu me incomodava porque achava que boas mães conseguiam fazer seus filhos dormirem a noite toda no seu berço, eu me incomodava porque acreditava que era certo um bebê dormir no seu quartinho que tanto havia me dedicado para decorar.

Eu me incomodava porque achava que se ele aprendesse a dormir sozinho era sinônimo da minha competência materna e da perfeita adequação aos costumes sociais, afinal todas as informações do mundo que chegavam até a mim dos filmes, novelas, livros, escolas, casa daquela mãe perfeita, etc.,  gritavam que um bebê precisa dormir no seu quarto a noite toda desde o seu nascimento.

Veja estou aqui fazendo uma análise da minha história, e não da sua ok!

Estou exemplificando a minha pesquisa interna, que fiz noite após noite até perceber que eu estava me sentindo mais chateada com as frustrações do que com o choro em si.

Eu me dei o direito de chutar o balde das crenças introjetadas de comportamentos de bebês com relação ao sono e resolvi trazer meu filho para perto de mim.

Logo no começo ainda fiquei com certa preocupação dos julgamentos, afinal a maioria da sociedade diz para não trazer o bebê para a cama do casal, e por isso eu tinha um certo medo de ser julgada e pressionada para voltar atrás  na minha decisão, ou pressionada por me sentir culpada e incompetente.

Mas ao ter meu bebê na minha cama algo mudou dentro de mim, eu vi que aquilo era gostoso, que unia mais ainda o casal, que criava um clima de amor mais intenso, que eu me sentia bem e que o bebê se sentia acolhido e não chorava mais e finalmente dormia a noite toda.

Eu achei a minha solução, não o livro e não o especialista.

Eu enfrentei o medo de olhar para a minha individualidade, enfrentei o medo de achar que não era capaz, que não tinha possibilidade de achar uma resposta, eu enfrentei o medo de ser julgada e receber críticas. Eu enfrentei o medo de “não saber o que fazer”.

Novamente te alerto: estou falando da minha história, a sua é você que vai construir.

Mas, só é possível escrever uma história real com as próprias mãos. Não contrate um “copywriter” para a sua maternidade.

Mas Lesly , isso é fácil, é um problema simples!

Não! Qualquer problema que você tenha a solução estará sempre dentro de você! Se pergunte mais, explore mais as possibilidades, vá mais fundo, você terá mais repostas para seus problemas do que qualquer especialista possa ter. 

Não tenha medo de se olhar. Suas sombras são os únicos gurus que você pode confiar. É lá que você achará sua luz.

Não desista da auto investigação, não jogue a toalha tendo a ideia fixa de que existem especialistas que podem resolver mais rápido e mais eficiente os seus problemas.

Tente se conhecer mais.

No problema está a solução!

Abraços carinhosos.

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Aviso: As reflexões e práticas de exercícios propostos aqui neste site, não substituem o conselho de profissionais da área médica e não constituem tratamento clínico para quaisquer tipos de enfermidades físicas ou psicológicas. Encorajo qualquer pessoa que se encontre numa condição aflitiva persistente a procurar ajuda de um profissional de saúde, independente de estar seguindo o programa MINDSET DA MATERNIDADE.